BIXIGA 70: BIXIGA 70

por Johnny Wazagoo postado

Música boa chega e, logo, o macaco coça a barriga saciado e sorridente com a nova experiência. Os comparsas do Bixiga 70 nasceram, ou melhor, renasceram musicalmente nos confins da rua Augusta e arredores. Dali puderam angariar severas influências, principalmente com a música africana. Assim, munidos de talento e ótimas referências, assumem a impiedosa missão alimentar a fogueira da fervorosa independente cena paulistana. Em 2011, tal fogueira fora alimentada à tino por nobres lançamentos - como de Criolo, BiD, Planta & Raiz, Anelis Assumpção e Banda Black Rio. Rica e voraz como a cidade de São Paulo não há. O reflexo se dá também musicalmente, quase tudo de melhor surge por ali. Diversidade atraindo oportunidade! É nesta flâmula criativa que retomamos o ímpeto de relacionar alguns dos mais notáveis discos deste ano passado.

O grupo Bixiga 70 foi formado quase que pela logística casual pertinente à noite paulistana. Entre os músicos, membros que já integraram Rockers Control, Projeto Coisa Fina, ProjetoNave, Gafieira Nacional, Anelis Assumpção, Banda Strombólica e Otis Trio. Emancipada por Décio 7 e Cris Scabello, o nome da banda já traz apológicas referências. "Bixiga" se remete ao tradicional bairro do Bixiga, onde se localiza o estúdio Traquitana (abóboda celeste que reúne outros nomes da nova cena independente de SP, entre eles, Guizado e Leo Cavalcanti). Já o cabalístico "70" resgata o principal front-man do afrobeat Fela Kuti, sempre acompanhado por sua banda África 70. "A ideia é fazer uma música mântrica, que transforma-se em um ritual em que todos estão envolvido de uma forma mais espiritual com o som. Sempre brincamos que a banda é a nossa igrejinha e nos reunimos para rezar e celebrar", conta Cris Scabello.

O resultado compete à supremacia do afrobeat brasileiro. Com seu mais novo trabalho, também chamado "Bixiga 70" (de 2011), a big-band paulistana visita os maravilhosos oásis rítmicos remanescentes em toda música de origem africana. Sem imparcialidade, o trabalho do Bixiga 70 também é floreado pelas mais belas cores da música brasileira: maracatu, afoxé, samba e carimbó são apreciados então. A sonoridade alcançada pela banda não se limita a heranças afro, revela-se também a identidade polirrítmica trazida há séculos pelo escambo direto entre África e Brasil.

Como dito, a receita é brasileira e os temperos são vindos da mãe África! Nesta toada de peso, trazida principalmente pelo estrondoso acervo percussivo, é onde reside a morada da Bixiga 70! Faixas geniais foram concebidas pela banda. O disco é imbuído em improvisos bem pensados, dimanando melodias tórpidas e grooves salientes. Por trás das cortinas uma produção respeitável e impecável. Victor Rice, Decio 7, Cris Scabello e Mauricio Fleury são os produtores! Ouça "Balboa da Silva" e logo estará sob efeito subliminar do mais tosco filme de ação oriental dos anos 70! Socos no ar e groove no pé, isto é Bixiga 70!

O ingrediente mais brasileiro do Bixiga 70 fica por conta da guitarra de Cris Scabello, que trabalha pontos em comum entre a guitarrada do Pará e a forma pontilhista com que o instrumento é usado no afrobeat. A forma inconsciente com que o grupo trabalha suas influências talvez seja o grande diferencial. Ao ouvir o disco, não se tem a sensação comum de que o grupo recorta e cola gêneros, algo que se tornou praxe no cenário digital contemporâneo, em que se tem acesso a tudo e o processamento de referências é muitas vezes raso. Já dizia o mestre Charlie Parker: 'você estuda e estuda, mas na hora de subir ao palco, fecha o olho e toca!", finaliza Décio. ~adaptado do site do Estadão



Dê o play, macaco!
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1. Bixiga 70 - Grito de Paz (4:26)
2. Bixiga 70 - Luz Vermelha (4:26)
3. Bixiga 70 - Tema di Malaika (4:07)
4. Bixiga 70 - Mancaleone (4:58)
5. Bixiga 70 - Zambo Beat (6:16)
6. Bixiga 70 - Balboa da Silva (4:19)
7. Bixiga 70 - Desengano da Vista (6:45)
8. Bixiga 70 - Balboa Dub (4:25)
9. Bixiga 70 - Dub di Malaika (2:53)
10. Bixiga 70 - Dub Vermelho (5:02)

~integrantes:
Décio 7 – bateria;
Marcelo Dworecki – baixo;
Cris Scabello – guitarra;
Mauricio Fleury – teclado e guitarra;
Rômulo Nardes – percussão;
Gustávo Cék - percussão;
Cuca Ferreira – sax barítono e flautim;
Daniel Nogueira – sax tenor;
Douglas Antunes – trombone;
Daniel Gralha – trompete.

3 comentários:

  1. Som de primeiríssima...

    Psicodélico mesmo...
    Resenha está na mosca..
    Valeu Johnny

    ResponderExcluir
  2. salve brodá! valeu pelo aviso, LINKS ON! Divirta-se

    ResponderExcluir

 
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